Escola aplica Teoria dos Temperamentos

A Interpares Educação Infantil inova ao aplicar método que ensina de acordo com a personalidade de cada criança

Já pensou em poder estimular as habilidades de uma criança de acordo com o seu temperamento? Essa é a proposta da escola curitibana Interpares Educação Infantil, que desde 2016 inseriu em suas atividades a “Teoria dos Temperamentos”, um estudo criado pelo grego Hipócrates em 400 A.C, considerado o pai da medicina. A teoria desenvolvida por ele define os estados de doença pelos quais o corpo passa de acordo com os humores. De forma simples, ele classificou os tipos de personalidades – humores – e explicava os comportamentos ou doenças que seriam desencadeadas em função do temperamento de cada indivíduo.

A Teoria dos Temperamentos foi evoluindo, tornou-se objeto de estudo de pensadores diversos, como Aristóteles, Immanuel Kant, Carl Gustav Jung, entre outros, e hoje, mais de dois mil anos depois, estudiosos contemporâneos, pedagogos e psicólogos aplicam a teoria em várias esferas. Um exemplo clássico são os testes ou dinâmicas em entrevistas de emprego, que levam em conta a Teoria dos Temperamentos. A área de Recursos Humanos é uma das que mais aplica as diretrizes que Hipócrates mapeou milênios atrás.

“A Teoria dos Temperamentos mostra que cada ser humano é singular. As crianças têm seu próprio temperamento e não aprendem da mesma forma e nem ao mesmo tempo. Resolvemos aplicar a teoria para tornar o aprendizado mais rico, respeitando a individualidade de cada aluno”, diz Dayse Campos, diretora da Interpares.

Os psicólogos em geral classificam os humores/temperamentos em quatro perfis principais, que agrupados entre si geram 16 combinações possíveis. Basicamente, os tipos são o humor Melancólico (triste, medroso, deprimido, poético e artístico), Fleumático (lento, quieto, tímido, racional e coerente), Colérico (impetuoso, energético e apaixonado) e o Sanguíneo (afetuoso, alegre, otimista e confiante).

Na Interpares, um psicólogo aplica um teste nas crianças para avaliar o tipo de humor de cada uma. Com isso, são definidas as estratégias para que o aprendizado seja mais efetivo e personalizado. A ideia é trabalhar sentimentos e reações genuínas do indivíduo. Para uma criança colérica, por exemplo, é natural se mexer o tempo inteiro em sala de aula. Já uma criança melancólica tende a dispersar, mas quando indagada pelo professor sabe o que é falado. A criança fleumática precisa ser estimulada em suas decisões, pois normalmente é mais refém de ordens e padrões. E os sanguíneos são falantes e líderes dentro da sala, às vezes falam ao mesmo tempo que o professor. “Quando olhamos a aprendizagem respeitando esse contexto, conseguimos perceber o quão didático e significativo é para cada criança”, avalia Dayse.

Para a Gestora de Recursos Humanos Michele Leonardo Brito de Souza, mãe de um aluno da Interpares e que utiliza a teoria em seu trabalho no RH de uma grande empresa, a aplicação da proposta na escola ensina desde cedo os alunos a lidarem com seus talentos, medos, frustrações e, principalmente, com temperamentos diferentes do seu. “A Interpares é preocupada com o desenvolvimento do ser humano para que ele seja na vida adulta a sua melhor versão e mantenha a sua essência, mesmo tendo que se adaptar a ambientes adversos”, conta Michele.

Uma vez por semana os professores da Interpares realizam atividades focadas no temperamento, mesclando os tipos de humores ou deixando as crianças em seu nicho de temperamento. “A criança que é muito líder e persuasiva precisa de outra – talvez fleumática ou melancólica – que sustente essa relação entre elas. Quando fazemos atividades por temperamento colocamos todas em contato com o melhor, e também o pior, de cada humor. As crianças que tendem a ser manipuladas são estimuladas a empoderar-se e vice-versa. Assim, elas descobrem seu valor e são guiadas a fazerem as melhores escolhas na vida”, explica Dayse.

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